sábado, 3 de novembro de 2018

O AUMENTO DO EXÉRCITO DE PINÓQUIOS



A língua, por ser viva, presta-se por vezes a imprecisões e distorções que refletem ações levianas e caluniosos. Como diz o ditado: "A palavra falada é como flecha. Depois de lançada não tem retorno".

Infelizmente, nestes últimos dias, tivemos oportunidade de constatar que isto tem sido uma prática frequente, através das “fake news”, as chamadas notícias falsas.

Por princípio, se são falsas, não podem ser chamadas de notícias. Pois, notícia é uma produção técnica, submetida a princípios universais de precisão, verificação e comprovação.

O que podemos concluir que, se uma informação é falsa, não pode ser transformada em notícia.

Na verdade, o que estamos assistindo é o aumento do EXÉRCITO DE PINÓQUIOS.

O aumento de informações falsas, desinformações, distorções da verdade, têm causado alarme a instituições das mais diversas. Esse manancial de erros reverbera particularmente nas redes sociais, terreno fértil para manipulações das mais diversas e, sobremaneira, no psicológico das pessoas que as recebe como notícia.

Pesquisas já demonstraram que as informações falsas muitas vezes alcançam mais pessoas do que notícias tecnicamente atestadas.

Uma pessoa pode dar início a uma onda de boatos a partir de um simples comentário, com a inclusão de texto escrito, vídeos, fotos ou links para artigos on-line.

Certamente, em seguida outros virão nesta onda, propagando cada vez mais o boato, formando ondas mentirosas cada vez maiores que irão espalhar aquilo que é de interesse daqueles inescrupulosos que desejam atingir alguém de maneira vil.

Registra-se que os boatos que recebem compartilhamentos mais significativos, são aqueles que tão informações falsas ou, que suscitam dúvidas sobre algum fato.

O elemento humano exerce papel de destaque nesse espraiamento. Mensagens que provocam reações emocionais, com pessoas expressando maior surpresa ou desgosto, são aquelas que mais compartilhadores atingem.

Portanto, cuidado. Muitas vezes, você pode estar, MESMO SEM SABER, ajudando a difundir mentiras pelas redes sociais.

É sempre bom ter isso em mente: a produção e o compartilhamento de notícias falsas e boatos é crime no Brasil e as penas para esses crimes podem chegar a quase 3 anos.

São crimes previstos e tipificados pelo Código Penal (confira abaixo os artigos).
Portanto, é bom tomar mais cuidado com aquela foto estranha que você repassa no WhatsApp, ou com aquele texto ou vídeo falso que você publica no Face book.

Tem gente que está cometendo o crime de mentir e divulgar notícias falsas, assumindo, de forma consciente, esse risco. Um risco que pode levar a consequências graves, seja para quem produz e divulga as notícias falsas, seja para quem é vítima delas.

O Brasil não possui lei que aborde especificamente as “fake news”, mas o infrator pode ser punido com base nas penas para os crimes de calúnia, injúria e difamação.

Diz o CÓDIGO PENAL (Decreto Lei 2.848/1940)

Calúnia - Artigo 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

§ 2º É punível a calúnia contra os mortos.

Difamação - Artigo 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Injúria - Artigo 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)

§ 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Portanto, a melhor dica para não correr o risco de passar adiante uma notícia falsa: sempre dê uma respirada e uma pensada antes de encaminhar algo. Veja quem está postando aquele conteúdo e verifique se ele é verdadeiro.

Em tempo: não pensem que simplesmente ao apagar um post, as pessoas estão livres de serem descobertas. A Policia Federal e a Delegacia Especializada em Crimes na Internet, possuem mecanismos capazes de achar a "impressão digital" (uma pista) que os leve à um "fake".

Mário Luiz Alves
Presidente - Câmara Municipal de Caxambu


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